
Sérgio Botelho – A Avenida Beira Rio, oficialmente denominada Avenida Ministro José Américo de Almeida, em João Pessoa, inaugurada na primeira metade da década de 1970, foi obra que modificou significativamente a morfologia urbana da cidade, com especial alcance na do bairro da Torre, onde várias ruas sofreram intervenções em seus trajetos.
Com o tempo, se transformou em uma das vias mais importantes da cidade, margeando o Rio Jaguaribe — o que também implicou em desafios remanescentes. Sua história tem tudo a ver com o desenvolvimento urbano da capital, especialmente no que diz respeito à mobilidade urbana.
Impulsionando a expansão da cidade em toda a sua extensão, a avenida passou a ser mais uma via de facilitação do acesso entre o Centro e a região litorânea, cumprindo, no caso, função semelhante à da Epitácio Pessoa, da Rui Carneiro e, posteriormente do corredor Tancredo Neves-Retão de Manaíra.
Assim, se consolidou como uma das artérias vitais da cidade, por onde passam diariamente moradores de bairros adjacentes ou que saem do Centro ou de bairros antigos como Jaguaribe ou dos novos loteamentos da Zona Sul, em direção às praias.
Mas a importância da Beira Rio não diz respeito apenas a ônibus e automóveis. Ao longo de seus oito quilômetros corre a ciclovia que conecta o Parque Solon de Lucena (a “Lagoa”) à orla — cenário preferido de corredores, ciclistas e famílias que encontram ali um percurso arborizado, plano e seguro para atividades ao ar livre.
Levar o nome de José Américo de Almeida — romancista de A Bagaceira e figura central da política paraibana — empresta à Beira Rio um simbolismo cultural: a avenida faz a ponte entre a memória histórica do estado e a vida cotidiana dos pessoenses.
Assim, a Avenida Beira Rio é, ao mesmo tempo, via de mobilidade, parque linear, espaço de lazer comunitário e cenário sempre aberto a políticas públicas voltadas à inclusão social e à adaptação climática. Seu trajeto serpenteia a geografia e a história de boa parte da cidade de João Pessoa, lembrando que a cidade só faz sentido quando consegue conciliar trânsito eficiente, paisagem preservada e oportunidades iguais para quem vive às margens da via.
(A foto da Beira Rio é mais um belo flagrante da cidade clicado por Marcos Estrela, artista visual e criador de conteúdo digital)
