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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS. Lembrando os assassinatos de paraibanos da Revolução de 1817

Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, nas Trincheiras, onde foram expostos os restos mortais de Peregrino de Carvalho

Sérgio Botelho – Há um assunto que a mim se configura como de muito significado histórico chamado de Revolução de 1817, mas também conhecido como Revolução Pernambucana e Revolução dos Padres. Foram cinco os paraibanos que participaram mais ativamente do levante, que chegou por breve tempo ao poder: Amaro Gomes da Silva Coutinho, José Peregrino de Carvalho, Francisco José da Silveira, Padre Antônio Pereira de Albuquerque e Inácio Leopoldo de Albuquerque Maranhão.
Todos eles pagaram com a vida a decisão de questionar o poder lusitano, no Brasil (que, por sinal, cairia 5 anos depois, na Proclamação da Independência), tendo seus corpos esquartejados e expostos em locais diversos da cidade da Parahyba (hoje, João Pessoa). Os locais de exposição dos restos mortais desses heróis mantêm, até hoje, placas indicativas do macabro expediente. São eles: a Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, nas Trincheiras, a Faculdade de Direito, na Praça João Pessoa, o prédio da antiga Casa de Câmara e Cadeia, na Praça Rio Branco, e um prédio histórico da Ladeira de São Frei Pedro Gonçalves, no Varadouro.
Falo outra vez no assunto por força de os assassinatos de três desses revolucionários terem acontecido, em 21 de agosto de 1817, exatamente numa quinta-feira, como hoje, no Campo do Erário, em Recife, espaço que hoje corresponde à Praça da República. Foram eles Amaro Gomes da Silva Coutinho, José Peregrino Xavier de Carvalho e Francisco José da Silveira. Os outros dois foram executados em 6 de setembro do mesmo ano. A sentença foi de lesa-majestade. O rito incluiu enforcamento e esquartejamento, prática usada para intimidar e sufocar qualquer continuidade do levante republicano.
A história de José Peregrino, particularmente, ganhou contornos ainda mais dramáticos. Muito jovem, rendeu-se após o apelo do pai, que acreditava na promessa de que seria poupado. A devassa e o julgamento, porém, levaram à pena capital. O episódio ecoa a lógica punitiva das Ordenações Filipinas, cujo Livro V previa o espetáculo do castigo como estratégia de controle social. A memória dessas práticas hoje serve de alerta para a defesa de direitos e para a leitura crítica do passado.

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