
“Chego no pátio do convento de São Francisco e paro assombrado. Eu já conhecia a igreja de fotografia porém fotografia ruim, péssima como todas as que tiram os fotógrafos do Brasil”, reclamou o paulistano diante do que via.
E prosseguiu: “Do Nordeste à Bahia não existe exterior de igreja mais bonito nem mais original que este. E mesmo creio que é a igreja mais graciosa do Brasil – uma gostosura que nem mesmo as sublimes mineirices do Aleijadinho vencem em graciosidade.”
Mário de Andrade, experiente demais para não saber o que estava dizendo, se mostrava apalermado diante do que via à sua frente, na capital paraibana. “Estou assombrado”, repetiu no texto incluído na obra O Turista Aprendiz.
Refeito, ele ajusta a escrita: “Não tem dúvida que as obras do Aleijadinho são de muito maior importância estética, histórica, nacional e mesmo as duas São Francisco de Ouro Preto e São João del Rei serão mais belas, porém esta de Paraíba é graça pura, é moça bonita, é periquito, é uma bonina. Sorri”.
Imagino o interesse que a descrição feita por aquela figura, uma das mais representativas da Semana de Arte Moderna de São Paulo, em 1922, causou aos leitores do jornal paulista Diário Nacional, onde ele escrevia.
E arrematou: “Na frente de tudo o cruzeiro é um monolito formidável. Estou assombrado (tornou a repetir). Paraíba possui um dos monumentos arquitetônicos mais perfeitos do Brasil. Eu não sabia… Poucos sabem..”
Pois bem, esse é o nosso conjunto franciscano, assim, tão bem qualificado por Mário de Andrade, há quase 100 anos. E como nada, naturalmente, foi construído, nem descoberto, no mesmo estilo, de lá até aqui, tudo que ele disse continua de pé.
