
O indigitado rapaz era um dos comensais diários do restaurante Calabouço, que atendia aos estudantes pobres do Rio de Janeiro, capital do então Estado da Guanabara. A tragédia provocou intensas manifestações de protesto pelo Brasil afora, culminando na missa de Sétimo Dia, realizada em todas as capitais do paÃs.
Dentro e fora, a Catedral, na General Osório, estava inteiramente ocupada pela juventude, hoje avós e avôs. Quando a missa terminou, após alguns pronunciamentos de lideranças secundaristas e universitárias, deu-se inÃcio a uma passeata que haveria de transformar o Centro de João Pessoa num cenário de guerra.
Um pouco adiante do conjunto beneditino, na própria General Osório, a PolÃcia Militar havia formado um cordão de isolamento que impedia os estudantes de seguirem em frente. O Ponto de Cem Réis e a Praça João Pessoa eram os destinos a serem alcançados, onde seriam realizados comÃcios.
Então, o jeito foi pegar a Conselheiro Henriques na direção da Duque de Caxias, que também levava ao Ponto de Cem Reis e à Praça João Pessoa. Acontece que a Duque de Caxias também estava fechada, pela PM, um pouto à frente da Praça Rio Branco.
Seguindo na Conselheiro Henriques, e ao chegar à Praça Dom Adauto, na Visconde de Pelotas, outro cordão de isolamento da PM estava em frente ao Cine Municipal. Diante das palavras de ordem estudantis, policiais, por todos os lados, decidiram dissolver a passeata, quando o Centro virou um inferno.
No outro dia, houve quem identificasse marcas de balas, em árvores da praça Dom Adauto, na altura de uma pessoa. Os estudantes acabaram se espalhando por toda a extensão do Centro, mantendo enfrentamentos pontuais com a polÃcia desde o local do ataque, até o Ponto de Cem Reis, a Padre Meira e o Parque Sólon de Lucena.
Havia se passado mais um capÃtulo da luta entre a ditadura e a juventude brasileira, que acabou provocando centenas de assassinatos de jovens, nos porões do regime militar, mas que avançou no rumo da Constituinte de 1988 e do fim da ditadura.
Ditadura, nunca mais!
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Foto da Praça Dom Adauto, onde aconteceu o avanço da PM contra a passeata estudantil de 4 de abril de 1968.
